Que parapente eu compro?

Escrevi este texto antes da nova norma CEN, que substituiu o antigo DHV, mas como você é um menino inteligente Thomas, saberá filtrar o que é importante. Fiz uma pequena atualização nele em virtude da quantidade de pilotos que o utilizam como referência, (o que é uma honra para mim).

Sivuca

A verdade é que o piloto deve buscar confiança no equipamento que está voando. Quantos pilotos vocês já viram que mudaram para equipamentos mais radicais e acabaram fazendo voos menos interessantes que antes ou terminaram por se acidentar? E o que dizer de pilotos recém formados que ficam batendo a cabeça atrás do equipamento mais adequado por um tempo enorme?  Aliás, para quem está começando, é essencial lembrar alguns detalhes importantes a respeito de equipamento:

  1. Esqueça a compra de equipamento por enquanto. Concentre-se em encontrar sua melhor escola. Este link que o levará ao site da Associação Brasileira de Parapente poderá lhe ajudar.
  2. Seu instrutor irá lhe orientar quanto a compra de equipamentos. Ele lhe oferecerá um parapente Classe 1, com o mínimo de equipamentos extras e com esta vela você encontrará anos e anos de alegrias aéreas. Prefira um velame novo, assim você evita o problema de ter de ficar trocando porque o seu ficou velho. Aliás, minha sugestão para todos os alunos é voar até virar pano de chão. Piloto iniciante não combina com compra e venda de parapentes.
  3. Esqueça instrumentos por enquanto, a não ser um rádio, para caso de você precisar se comunicar com alguém na rampa, o resto (variômetro, GPS, etc) só fará falta daqui algum tempo quando você já tiver acumulado muitas horas e quilômetros de voo.

Algumas escolas ainda persistem em oferecer parapentes mais arrojados para iniciantes. Isso acontece porque antigamente os parapentes para iniciantes eram muito lentos e pouco ágeis. Isso já teminou, estamos na segunda década do século e os parapentes iniciante atuais estão longe de serem pouco ágeis.

Infelizmente muita gente continua forçando a troca de velames por outros mais radicais achando que este irá mudar muito a sua vida de voador. E muda... para pior em muitos casos, pois o piloto que antes decolava nas mais diferentes condições, agora seleciona demais e termina por ficar na rampa assistindo os outros voar enquanto seu High-Perfo fica guardado dentro da mochila.

A primeira coisa a se considerar é: Será que não estou focando no material imaginando que trocar de vela seja a solução para minhas angústias ao invés de focar em evoluir tecnicamente como piloto? Muita gente faz isso! Afinal é mais fácil pensar em um objeto do que na abstração da "evolução técnico-psicológica" do piloto. Fique atento, na maior parte das vezes, seu parapente saída de escola continuará sendo seu fiel companheiro de muitos e muitos anos de maravilhosos voos sem que realmente você necessite trocar de categoria. Conheço grandes pilotos que permaneceram na mesma categoria por anos e anos a fio, aproveitando o voo naquilo que é mais interessante, viagens, grandes voos, viagens, passeios, grandes voos, voos, e mais voos...

Tudo bem, você já voa há muuuitos anos, já aprendeu muito sobre pilotagem ativa, já fez seu curso de segurança, já voou mais de 50km no mínimo duas vezes, já voou em vários lugares diferentes em diferentes épocas do ano, já embarcou em uma excursão de voo e sente que pilota sua vela com o pé nas costas e gostaria de trocar por algo mais avançado, então vamos para a segunda coisa a se considerar que é seu perfil; veja logo abaixo:

Tabela de sugestão de equipamentos
Frequência de vôo

Tempo de vôo

Pouco freqüente (2x/mês)

Freqüência normal (4 a 6x/mês)

Fanático (8 ou mais vezes ao mês)

Recém formado Classe 1

Classe 1

Classe 1

Cerca de um ano 

Classe 1

Classe 1-2

Classe 1-2

Classe 1-2 avançado

Classe 2

Classe 2
2 anos

Classe 1-2

Classe 1-2

Classe 1-2 avançado

Classe 2

Classe 2

Classe 2-3
3 ou mais anos Classe 2 Classe 2-3

Classe 2-3

Classe 2-3 ou Competition

Classe 2-3

Competition
Estilo do piloto Conservador Arrojado Conservador Arrojado Conservador Arrojado

Classe 1:

Também chamados de "Escola" ou "Saída de Escola". São aqueles parapentes que recebem homologação 1 e são muito mansos, possuindo uma grande capacidade de "perdoar" erros do piloto. Antigamente estas velas eram menos ágeis, mas hoje em dia, a tecnologia de design já nos trás parapentes classe 1 totalmente divertidos. De fato, a maioria dos parapentes voando no mundo pertencem a esta categoria. Tudo aquilo que o esporte pode lhe proporcionar, pode tranquilamente ser vivenciado com um parapente classe 1, desde voos de final de tarde, passando por térmicas fortes ou voos de longa distância.

Classe 1-2:

Também chamados de "Intermediários básicos". São parapentes indicados para pilotos que já possuem alguma experiência, pois são um pouco mais ágeis na pilotagem, sem grande comprometimento da segurança passiva.

Classe 1-2 avançado:

Este é o "pau pra toda obra". São parapentes intermediários, apesar de receberem homologação DHV 1-2 e como tal, são tranquilos apesar de terem rendimento superior aos da categoria anterior. Não são indicados para iniciantes, mas uma vez que compreendem um mercado bastante importante, o melhor deles inclusive, as fábricas mais velozes estão investindo nestes equipamentos atualmente.

Classe 2:

Também chamados de "Intermediários avançados". São verdadeiros intermediários e com homologação DHV 2. Indicados para pilotos que já voam a pelo menos 2 ano e são arrojados e em busca de voos de longa distância ou participar de campeonatos. Não são indicados para os pilotos pouco frequentes ou mais conservadores:

Classe 2-3

Também chamados de "Performance". São parapentes de alta performance, apenas indicados para quem realmente tem experiência e participa de competições ou faz voos de longa distância. Precisa de atenção constante do piloto e pode exibir comportamento bastante perigoso diante de erros. É completamente contra-indicado para pilotos que querem tranquilidade, pouco frequentes e com pouca experiência. Alguns modelos são um pouco mais tranquilos e até possuem homologação DHV 2, porém não deixam de ser parapentes exigentes.

Competition

São os modelos de competição das fábricas. Normalmente não possuem homologação e seu uso é por conta e risco do piloto. São parapentes muito ariscos e difíceis de serem pilotados. Precisam de muito input do piloto e possuem reações potencialmente dinâmicas e perigosas. Pilotos com pouca experiência estarão a um passo de conhecerem a vida além túmulo ao teimarem e voar com um parapente de competição

Conclusão

Proteja-se contra as sugestões de outros pilotos (que não entendem do assunto) ou pior, instrutores inescrupulosos querendo livrar-se de equipamentos encalhados. Não há o menor sentido em iniciar no esporte adquirindo um equipamento intermediário ou de alta performance, por mais aparentemente vantajoso que o negócio seja. É risco de vida na certa. Duvide de conversa mole de gente que não tem respeito pelas pessoas e só pensa em seu benefício próprio. Procure escolas e instrutores homologados pela Associação Brasileira de Parapente ABP. Não faça vôo duplo com pilotos sem habilitação. É risco de vida na certa!

Se você já conhece seu saída de escola ou intermediário, não é um piloto de competição e só quer voar por lazer, fazer uns crozinhos de vez em quando, enrolar umas térmicas e terminar o dia com a galera, tudo com segurança e bom rendimento, então seu parapente é um INTERMEDIÁRIO. Aquele DHV 1-2 sabe? Esqueça os 2 ou 2-3, são mais caros, exigem muito do piloto e só são úteis se você voa competição regularmente e está disputando posições no campeonato.